Podes até ir no mar de gente que passa por mim, mas sinto-te longe - porque não estás aqui para preencher o vazio do meu coração. Não quero estar aqui, nem nos lugares onde não estás; estaria aqui com todo o gosto, se também estivesses; mas de ti só há neste momento, neste lugar, nestas ruínas que sou, só há a tua ausência. Mais ninguém me dá a alegria que tenho quando te vejo, quando posso mergulhar o meu ser na visão do teu. Ninguém é como tu, seria difícil para um pobre mortal querer atingir a tua altura. Tudo isso me dói, porque se eu ando no meio deles, e tu não, se eu pertenço ao grupo das gentes que nunca serão como tu, é porque eu sou como eles, sou tão ingrato de ti como todos. Mas tenho algo que os outros não têm: gosto de ti, admiro-te mais que a tudo. O que é que de especial isso me pode dar? A dor de sofrer por ti. Nestas ruínas que outrora já foram majestosas, coloridas, alvo de admiração de milhares de pessoas, defendidas até à morte da cobiça de gentes estrangeiras - por entre estes bocados de pedra quebrados ou agastados pelo tempo, às vezes parece-me que algum pequeno cálculo tem os ângulos curvos dos teus olhos de amêndoa: mas não são os teus olhos, não têm a cor que tu tens quando ris, quando a tua boca se rasga dessa forma única. Depois, a sombra que alguns bocados, ainda em cima de outros, fazem, que ao vento brando e seco parece ter a forma da tua quando andas e transportas contigo a beleza que só tu tens. Estás constantemente ausente no meu pensamento.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Só não me esquecia do mundo por causa da chuva. Algures entre a água a escorrer por nós e o teu olhar, a minha alma perdera-se numa luz intensa e interminável que dava a ilusão de nada haver antes e depois de si, como se tudo o que existisse fosse aquilo. Era a luz que saía dos teus olhos, que se insinuava no teu sorriso, que palpitava nas tuas mãos. Um dos momentos altos da infância do meu espírito.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O cheiro frio dos corredores de pedra
a ecoarem as vozes e os gritos que
se amontoavam ao pé das portas
O riso incomodativo das raparigas
O entusiasmo eufórico dos rapazes a exibirem-se
O sol lento, alheio na sua solidão
à solidão de quem também está só
O incómodo de termos de participar
nas aulas, nos intervalos, nos almoços
A tendência de querer estar taciturno e
quieto enquanto todos correm e jogam
E sem muito esforço os testes fáceis e os
exercícios não muito desafiantes
Mas o complexo de ser menos que os
outros nas aulas de desporto
O alheamento quando pensava em ti
nos textos pueris que queria escrever
O pasmo ao ver todos os outros,
todos sem excepção, fazerem coisas
completamente inconcebíveis, mas que
eram aceites com toda a normalidade,
o respeito pelos outros inexistente
a sinceridade nas palavras inexistente
o gosto pelo bem estar dos outros inexistente
ódios, intrigas, decepções - o futuro duma
sociedade que teimava em não se renovar
(os professores, porque faziam parte dessa
sociedade, não contrariavam a tendência)
O desejo, contudo, de estar com os outros,
viver com eles uma vida que sozinho não tinha
conhecer como eles lidavam com os problemas
mas que para eles não o eram sequer...
Longe dos tempos em que eu olhava para ti como se fosses (e eras) o resumo dos meus desejos em corpo de gente, e como se mais nada fosse suficiente para que eu vivesse; agora dou conta de uma parte de mim a desaparecer. Começou com um ardor forte no peito, depois a mão esquerda começou a desaparecer, de seguida o antebraço, e agora já está no ombro. Esquecer-te não é o que tenho de fazer, porque fazê-lo é perder a própria vida. Desde que existo, e se calhar até um pouco antes, nesta vida o propósito era ter presente, em todos os passos, o teu olhar. Apesar das atribulações da vida, que trata a todo o momento de me fazer cruzar com as pessoas mais improváveis, mas que são quem tem de ser, o destino conseguiu empurrar-nos para o mesmo local, na mesma altura. Foi aí que a minha vida mudou, mas os pontos comuns com o passado que magoava de morte quem o não entendia levaram-me a ver-te com as mesmas lágrimas que trazia ainda de épocas obscuras. Não sei, porém, ser assim. Tu não és como os monstros titânicos dessa barbárie pré-olímpica, tu és anacrónica. O meu erro foi querer-te agrupar com os outros mortais - mas tu não estás aqui para matar, vens dizer o que é a vida, e como a devemos viver. Eu devo viver a minha perdido no teu rosto, e no amor que tenho por ti. Porque, mesmo inconsequente, é preciso.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Andei perdido no Google só para conseguir descobrir esta pérola de toda a história da Anime... Quantas noites me deitei a altas horas só para ver esta série no Locomotion (quando a Cabovisão ainda tinha este canal), e rir como um doido quando dava as cenas da Excel a querer comer a Menchi... Este vídeo devia fazer parte da cultura geral de toda a gente!
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
É complexo e parece, ao mesmo tempo, impossível. Só te vejo como alguém a quem amo, mas de quem não consigo ser desinteressadamente amigo. A amizade contigo é sempre um meio para algo mais, na relação entre nós há, para mim, sempre a tendência para não ficar apenas como teu amigo: quero sempre, e de forma automática o faço, mais.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
A luz vai morrendo devagar nos lençóis amarrotados e dispersos, que mal chegam para nos cobrir. No quarto, na sala, na cozinha - em cada lugar da casa há marcas da nossa passagem, quando perdidos um no outro dançávamos as nossas sensações na ternura ébria das pequenas carícias
Conheceram-se no sítio X. Ele ficou perdidamente apaixonado por ela. Houve alturas em que a amou, mesmo. Convidou-a para um festival de Verão, coisa que ela entendeu como um gesto bonito, simpático, nada mais. Mas ele falava a sério, e por isso lhe deu um bilhete para o dia que, julgava ela na brincadeira, haviam marcado. Pelas voltas da vida, ela teve de lhe dar um banho de água arrefecida com o gelo da realidade, e ele, para não querer sujeitá-la mais àquelas situações embaraçosas e desnecessárias, pediu-lhe a ela que não lhe falasse mais. Acontece que, mesmo que quisessem ir e o destino tivesse aprovado que eles estivessem de bem nesse dia, não poderiam ainda assim ir ao festival: porque havia trabalho a fazer no sítio X. Irónico, mas, apesar de mal se verem, estiveram sob o mesmo tecto nesse mesmo dia, apenas não onde queriam, mas onde realmente eram precisos.

terça-feira, 26 de maio de 2009
Pousas nos meus ombros as mãos agastadas pelos dias, e os braços perdem-se no cansaço. Um suspiro teu, quase inaudível, pergunta-me o porquê de tanto trabalho. Minha linda, deixa-me abraçar-te: acompanha as minhas mãos que atravessam as tuas costas e se cruzam bem na coluna, e depois dançam lentamente por todo o teu tronco. Assim bem perto, olhamo-nos nos olhos um do outro, entramos um no outro até às almas que se amam, e aí descobrimos que somos parte do Universo sem fim. Tal como ele é acção constante e harmoniosa, assim temos também de ser. O trabalho é o nosso treino para sermos infinitos. Temos de ser cada um o seu próprio Universo, infinito de beleza e perfeição, para podermos ser parte do todo a que pertencemos. O melhor exemplo para tal é Jesus, e o primeiro bem infinito que eu e tu partilhamos é o amor do reino que não é deste mundo.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
No teatro do mundo, a minha passagem actual não foi desenhada com a tua; os nossos caminhos nunca se cruzaram. E no entanto é a tua energia, é o teu amor que, maravilhado, vejo diluir-se no contributo da nossa Terra para o progresso da Criação. Possa eu um dia conseguir dar aos outros a imensidão que tu nos dás; e que a beleza sem fim que vejo emanar de ti (porque assim és), eu desejo que não seja nada perante tudo o que ainda serás! Incessemos o milagre da partilha dos mais nobres sentimentos com que Deus, ao gerar-nos para o Infinito, nos dotou. Finalmente nos libertamos da distância para onde nos projectámos quando nos afastámos dEle; a pouco vamos ganhando, pelas nossas lutas, pela aplicação das leis insuperáveis do Universo, alguma paz; e tudo aquilo que nos é mais precioso à luz da vida sem fim, tudo isso daremos a todos quantos ainda vagueiam na incerteza. Nada do que nos é dado é para nós; é-nos dado para partilharmos - porque também foi partilhado para nós: é esse o exemplo máximo do Cristo, na convivência da sua Ceia.
Os teus modos são uma caixa onde escondes a fraqueza que, tal como eu, tens. A toda a hora me agrides, me feres a integridade, mas naqueles momentos que menos esperas mostra-se a tua infância. És ainda uma menina, num corpo cravado de vida difícil; eu sou um menino num corpo ainda sem vida como a tua.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Daquele lugar não me lembro senão dos rios que cortavam as terras, da luz da noite a mergulhar na água e a voltar para todos os que a viam. Esses momentos mágicos em que os teus pés passeavam ao lado dos meus, a minha mão estava na tua, e os nossos corpos eram um só, eram aquilo a que chamávamos amor. O que mais estimava eram mesmo essas noites. Mas agora, que estamos onde não há dia nem noite, onde o tempo não pára nem anda porque não existe, aqui no espaço sem fim em que somos aquilo que somos e nada mais, agora te posso dizer de verdade que te amo. Porque se já naqueles tempos o corpo frágil e grosseiro apenas podia entrever a imensidade deste sentimento que somos na eternidade, não há nada como poder assumir tudo isso sem a cegueira de um cérebro ainda desejoso de instintos. Quanto às amarguras... que é feito delas?
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