sábado, 27 de junho de 2020
1978. What else shall I do but commemorate myself, for I'm no good to anyone else's commemorations, and sometimes even ruin a few of them?
Jorge de Sena
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
"Esse filho só de sangue"
That son made of blood that runs down your legs
is me. We could've taught him the words, but
his name is now all blood. We could have
shown him the sky, but his eyes are now all blood.
We could've held his hand inside
ours, but his hand is now all blood. That son
all blood that runs down your legs and dies
is me, my blood and my memory.
José Luís Peixoto (translated by me)
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
De regresso a esta casa, para arquivar "nube" (na nuvem) uma parte daquilo que por aqui se vai escrevendo...
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Depois de falar, a voz virou-se para mim, olhou-me nos olhos e perguntou-me: "por que razão haveria eu de dizer isto? Não me consegues imaginar uma conversa melhor?"
terça-feira, 27 de maio de 2014
Phaedri Fabulae
Este é um dos volumes que mais me empolga por uma razão muito simples: de todas as pesquisas que tenho feito no catálogo online da Biblioteca Nacional, nunca encontrei esta edição nos resultados. Portanto, Fedro editado em Portugal, sem que haja um exemplar na Biblioteca Nacional!
sábado, 14 de setembro de 2013
Doria, João Antonio de Sousa. Compendio de Historia para uso das escholas. 2 vols. Vol. 1. 11ª ed. Coimbra. Livraria de J. Augusto Orcel: 1878.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Sempre me aprazeu a companhia dos livros. Mais do que passar as suas folhas na leitura do texto, o verdadeiro prazer do livro é, para mim, o livro. Mais eficaz que qualquer remédio, ou qualquer bebida espirituosa: interromper o trabalho, virar-me para trás e saber que todos eles estão ali. Os companheiros sem corpo também parecem partilhar do meu gosto; talvez, o nosso gosto. Por isso, naturalmente compro livros. Não todos os que gostava de ter, mas o dinheiro não estica e escapa facilmente demais. Não todos, mas todos os que tenho foram adquiridos com muito gosto; no acto do pagamento, uma sensação talvez semelhante a quem compra um maço de tabaco... Sim, provavelmente os livros são o meu vício, uma vez que não fumo, nem bebo compulsivamente. Entre os livros que tenho podido comprar alguns já não estão abrangidos pela lei do copyright (correcta ou errada, não sou a pessoa mais capacitada para o dizer).
Ora, tendo-me recentemente apetrechado de material de digitalização, consegui passar para formato digital alguns desses livros, sendo que o objectivo é digitalizá-los a todos. Mas, para não ter que os levar a todos num dispositivo portátil, poderei contudo acedê-los de forma rápida e em qualquer lugar, uma vez que os vou pôr todos "na nuvem"; também reduz significativamente o uso que faço deles, pois para os ler não tenho que abrir os volumes, alguns em condição delicada. Só os que acima mencionei, fora do copyright, é que decidi partilhar aqui.
Neste post, apresento o link para uma parte do Burro de Ouro de Apuleio, que é o romance dos amores de Cupido e Psique, na tradução para francês de Landon. Outros se seguirão.
Apuleio. Les amours de Psyché et de Cupidon. Trad. por C. P. Landon. Paris. Typographie Firmin Didot: 1872.
Apuleio. Les amours de Psyché et de Cupidon. Trad. por C. P. Landon. Paris. Typographie Firmin Didot: 1872.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Homofonia
Talvez esteja a ser pouco condescendente se, num livro de mais de 1500 páginas, ache estranho haver um erro; certamente haverão alguns que passarão o escrutínio de quem reviu o texto, mas algo me diz que um erro assim é sempre lamentável, por mais milheiro menos milheiro de páginas que o livro tenha. A obra em questão é esta, a página é a 329, e o parágrafo onde o erro facilmente se encontra é o que, na imagem acima, começa com «A Liberdade de imprensa». Aparte tudo isto, um grande estudo, em tamanho e, para já, em qualidade, sobre um assunto que me agrada bastante: o fim da Idade Média em Portugal (sim, sou da opinião de Le Goff).
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Very well, Milord...
O que me parece que todos, na Europa (incluindo os nossos governantes, porque julgam que não serão também eles atingidos), querem fazer de Portugal está bem metaforizado nesta série: o objectivo de toda esta "crise", exagerada quando dá jeito, igonorada quando não convém, é fazer do nosso país um lar para os reformados ricos do Norte europeu; como o dinheiro deles vale mais do que o nosso (e é tão conveniente que seja o mesmo, para evitar a maçada dos câmbios), vêm desfrutar do nosso clima, das nossas praias, da nossa terra - nessa altura, esperam eles, será a terra deles... E o povinho português, tão facilmente submisso, não passaria de footmen e housemaids... Não haverá um motorista que desfaça esta ordem?
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Métrica
Todos quantos escreveram em metro, em rima ou em estrofe, sabem que esses elementos regulares sugerem coisas que não estavam no pensamento original, sabem que são elementos activos em compelir o pensamento e a sua expressão a seguir um caminho que, salvo eles, não seguiria. Ora, se eu sinto profundamente uma coisa e a quero dizer profundamente, para que os outros a sintam profundamente, não quero ser desviado dessa profundeza com que sinto porque a palavra «amor» não rima com a palavra «queijada», ou porque «cebola» tem que ser «nabo» num ponto onde só cabem duas sílabas, ou porque «ontem» é um espondeu e tenho que pôr «pálido» para dar dáctilo.
Álvaro de Campos
sábado, 1 de dezembro de 2012
— Souvent, me dit-il, en parlant de ses lectures, j’ai accompli de délicieux voyages, embarqué sur un mot dans les abîmes du passé, comme l’insecte qui flotte au gré d’un fleuve sur quelque brin d’herbe. Parti de la Grèce, j’arrivais à Rome et traversais l’étendue des âges modernes. Quel beau livre ne composerait-on pas en racontant la vie et les aventures d’un mot? Sans doute il a reçu diverses impressions des événements auxquels il a servi ; selon les lieux il a réveillé des idées différentes; mais n’est-il pas plus grand encore à considérer sous le triple aspect de l’âme, du corps et du mouvement? A le regarder, abstraction faite de ses fonctions, de ses effets et de ses actes, n’y a-t-il pas de quoi tomber dans un océan de réflexions? La plupart des mots ne sont-ils pas teints de l’idée qu’ils représentent extérieurement? À quel génie sont-ils dus! S’il faut une grande intelligence pour créer un mot, quel âge a donc la parole humaine? L’assemblage des lettres, leurs formes, la figure qu’elles donnent à un mot, dessinent exactement, suivant le caractère de chaque peuple, des êtres inconnus dont le souvenir est en nous.
Honoré de Balzac, Louis Lambert
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
On being in love
What noble deeds were we not ripe for in the days when we loved? What noble lives could we not have lived for her sake? Our love was a religion we could have died for. It was no mere human creature like ourselves that we adored. It was a queen that we paid homage to, a goddess that we worshiped.
And how madly we did worship! And how sweet it was to worship! Ah, lad, cherish love‘s young dream while it lasts! You will know too soon how truly little Tom Moore sang when he said that there was nothing half so sweet in life. Even when it brings misery it is a wild, romantic misery, all unlike the dull, worldly pain of after‐sorrows. When you have lost her—when the light is gone out from your life and the world stretches before you a long, dark horror, even then a half‐enchantment mingles with your despair.
And who would not risk its terrors to gain its raptures? Ah, what raptures they were! The mere recollection thrills you. How delicious it was to tell her that you loved her, that you lived for her, that you would die for her! How you did rave, to be sure, what floods of extravagant nonsense you poured forth, and oh, how cruel it was of her to pretend not to believe you! In what awe you stood of her! How miserable you were when you had offended her! And yet, how pleasant to be bullied by her and to sue for pardon without having the slightest notion of what your fault was! How dark the world was when she snubbed you, as she often did, the little rogue, just to see you look wretched; how sunny when she smiled! How jealous you were of every one about her!
Jerome K. Jerome, The Idle Thoughts of an Idle Fellow
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
No passeio estrelado da calçada, olhámo-nos uma última vez, e depois entrei no meu prédio. Passei tranquilo a porta, o elevador estava ocupado; mas ao subir as escadas, tropecei nos atacadores que esquecera de apertar na devida altura. Tombei, caí, magoei-me. Entretanto o elevador já estava desocupado, mas eu estava entre andares, não pude entrar; e quando depois pude estava outra vez ocupado. Sempre as escadas, agora sem problemas nos atacadores mas ainda a dor da queda - e das outras quedas, pelas pessoas que, ao virem na minha direcção, não tinham a decência de se afastarem; ou talvez quem tivesse que se afastar fosse eu... A minha casa estava perto, mas o elevador sempre ocupado não me deixava acelerar o meu percurso: e por isso, a uma dada altura, parei cansado. Não apenas a dor do corpo, mas também já alguma fadiga emocional a tentar-me com o ficar ali mesmo, num canto de escadas, a cabeça no vão, e quedar-me. Alguém nesse momento saiu do elevador no andar abaixo de onde eu estava, subiu as escadas até mim pegou-me por baixo dos ombros e quase me obrigou a andar. Voltei ao meu caminho. Pus a cabeça no vazio que a espiral das escadas fazia existir, vi que o meu andar estava a curta distância; e, impondo ao corpo um último fôlego, decidi-me a chegar lá sem paragens. Cheguei. Cansado, as mãos sem o discernimento para escolherem a chave, mas depois a conseguirem, rodei a fechadura e, sem me preocupar com a porta aberta, ou em olhar para mais nada, fui de imediato à janela do quarto, que dava para a do teu. Puxei as cortinas, corri impetuoso as portadas - mas não te vi. Colado ao vidro, rodava o olhar em todas as direcções do teu prédio, e tu não estavas lá. Nenhuma janela aberta para mim. Fiquei à espera que aparecesses, talvez algo te tivesse atrasado como aconteceu comigo, mas o atraso foi ficando cada vez maior. A decepção fez-me desistir de ficar à espera de te ver. Afastei-me da janela, as mãos pendentes como dois enforcados, e então te vi: deitada sobre a cama, desde há tanto tempo esperando que me voltasse.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Entendo que o grande numero de livros se fez, e se inventou para confusão, porque vejo que houve mayores homens, quando havia menor numero de livros. Antigamente tudo era estudo proprio, porque trabalhava o entendimento, sem mais soccorros, que a sua especulaçaõ; hoje cança o entendimento, e falta o tempo, para ver Tratados das mesmas materias. Antigamente cada hum escrevia conforme o havia imaginado; hoje accomoda-se a imaginaçaõ ao discurso alheyo. Naõ nego, nem posso negar a incrivel fecundidade, de que tem sido causa o artificio nunca bastantemente louvado da impressaõ, pois por ella se communicou a todos, o que era só para alguns, e vio o Mundo em infinitas copias, o que reservava a curiosidade como precioso thesouro; mas tambem he certo, que depois da sua rara invençaõ he mais o que se treslada, do que o que se compoem. Da-se ao velho nova forma, da-se metodo ao que o naõ tinha, que naõ he pequeno beneficio; mas a substancia he a mesma, porque a differença só consiste nos accidentes, do que pudera fazer huma nobilissima inducçaõ, se me dera tanta licença huma Censura.
D. José Barbosa, in António Cerqueira Pinto, Historia da prodigiosa imagem do Christo Crucificado (1737)
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